quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Trajetória

Uma vez eu li em um livro, logo no início da faculdade, que você se torna um jornalista quando todos os dias você sai da redação dizendo que não volta nunca mais e, no dia seguinte, entra nela como se fosse a primeira vez.

É, de fato, um trabalho estressante. Você não tem a mínima ideia do seu destino. De para onde a pauta do dia vai te levar. Além disso, em rádio, especificamente, o jornalista não sabe sequer se vai cobrir economia, cidade, política...

Fora isso, não há como ficar imune aos encantos e desencantos de uma boa história. Apesar de termos que manter uma certa distância dos fatos,é preciso lembrar que a condição primeira para ser jornalista é ser humano.

Eu mesma lembro das emoções que senti em pautas que já fiz há mais de 5 anos. Do primeiro tiroteio na Ladeira dos Tabajaras, da primeira pauta de economia, da primeira vez que fui a um evento político. Tudo isso me modificou e me tornou a profissional que eu sou hoje.

Não há como não ser agradecida a todos os que passaram pelo meu caminho. Desde o Roberto Feres, na Tupi, que acreditou que eu era capaz quando nem eu sabia disso. Pelos encorajamentos do Maurício Bastos, que sem dúvida, teve um papel decisivo na minha formação. Pela força da Vanessa Andrade. Sem ela, nada disso teria acontecido. Pelas dicas da Vanessa Mazzari, que nem sabe o quanto me ajudou. Pela amizade de Ana Guimarães, de quem eu sinto saudade, assim como de Julyana Pollo, sempre sensata nas suas colocações. Não posso deixar de citar pessoas como Priscilla Souza, minha amiguinha de bons e maus momentos, e Maria Mazzei, a quem eu admiro profundamente por ser decidida, firme e competente no que faz.

O que dizer do Luciano Garrido? Ele me queria em sua equipe quando eu ainda estava na faculdade. O Garrido sempre será uma referência para mim. Apesar das broncas, foi um dos meus chefes mais queridos. Sempre comprou a nossa "briga", nem que fosse para pensar sobre os problemas com a gente. Quase sempre tinha uma brincadeirinha para aliviar a tensão do ambiente. Só tem uma semana que ele saiu da rádio, mas já sinto muito a sua falta.

Tem ainda o Maurício Martins, que foi extremamente generoso quando precisei, e a Christiane Alves, a quem eu respeito muito. Sempre calma, sempre focada nos seus objetivos. Uma pessoa de muito caráter e carinhosa como poucos.

Como me faz bem lembrar destas pessoas. Algumas delas, com certeza, não sabem da importância que tem ou tiveram na minha vida. Se fosse a algum tempo, eu faria questão de dizer isso pessoalmente, mas hoje, já desenvolvi os pudores bobos dos adultos que têm medo ou vergonha de demostrar gratidão, amor, carinho.

Assim como todo o bom combatente, já ostento várias feridas de guerra. No entanto, nenhuma delas me cegou a ponto de me fazer deixar de ver o quanto eu me envolvi com o jornalismo, e o quanto é difícil de separar a minha imagem da minha profissão.

Neste momento, prefiro apenas ser grata e ter esperança.


"Pois existe a trajetória,
e a trajetória não é apenas um modo de ir.
A trajetória somos nós mesmos."

Clarisse Lispector

Um comentário:

  1. Obrigado pela referência, mas o mérito é todo seu. Parabéns pelo texto.
    Maurício Galli Bastos

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